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13/07/2006 09:00
ONU deve votar a resolução sobre o Irã na próxima semana
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u97890.shtml
12/07/2006 - 17h03
ONU deve votar a resolução sobre o Irã na próxima semana
da France Presse, em Washington
O embaixador dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas), John Bolton, disse nesta quarta-feira que espera que o Conselho de Segurança (CS) tome uma decisão "no início da próxima semana" sobre o rascunho de uma resolução que pedirá ao Irã para deter seu programa de enriquecimento de urânio.
Bolton afirmou que o CS seguirá as instruções dos chanceleres das seis potências mais importantes, que se reuniram em Paris após a "inadequada e decepcionante" resposta do Irã à oferta de incentivos ocidentais em troca do cancelamento de seu programa de enriquecimento de urânio.
Ministros das Relações Exteriores de seis potências mundiais decidiram nesta quarta-feira, em Paris, levar novamente ao CS da ONU o dossiê nuclear iraniano, em resposta à recusa do Irã de suspender o enriquecimento de urânio, anunciou o chanceler francês, Phillipe Douste-Blazy.
"Os iranianos não deram nenhuma indicação de que estão dispostos a discutir seriamente nossas propostas. O Irã não deu os passos necessários para permitir que as negociações comecem, ou seja, suspender as atividades ligadas ao enriquecimento", disse Douste-Blazy.
"Expressamos nossa profunda decepção com essa situação. Não temos outra escolha, senão voltar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e retomar o processo, suspenso há dois meses", acrescentou.
"Concordamos em trabalhar em favor de uma resolução do Conselho que leve à suspensão exigida pela Agência Internacional de Energia Atômica [AIEA]", explicou o chanceler. "Se o Irã não quiser se conformar, trabalharemos, então, na adoção de medidas com base no artigo 41 do Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas", que autoriza a aplicação de sanções, acrescentou.
O anúncio foi feito após uma reunião, em Paris, entre os chanceleres dos seis grandes países envolvidos na busca de uma saída para a crise nuclear iraniana (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia).
Antes do encontro, a chefe da diplomacia americana, Condoleezza Rice, considerou "decepcionante e incompleta" a resposta apresentada ontem pelo chefe dos negociadores iranianos, Ali Larijani, durante uma reunião em Bruxelas com o alto representante da União Européia (UE) para a Política Externa, Javier Solana.
Também antes da reunião, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou que o país não irá negociar "direitos inegáveis" envolvendo o programa nuclear. "Somos a favor das negociações, a favor do diálogo. Mas, naturalmente, não negociaremos nossos direitos inegáveis com ninguém", afirmou o presidente, em discurso transmitido pela rádio estatal.
A recusa do Irã a interromper o enriquecimento de urânio continua sendo o principal obstáculo nas negociações com a república islâmica. "Se o Irã aplicar as decisões da AIEA e do Conselho de Segurança, e se comprometer com as negociações, estamos dispostos a nos abster de novas ações no Conselho de Segurança", indicou o ministro francês.
Seis países apresentaram, em 6 de junho, uma oferta de cooperação tecnológica e comercial ao Irã com a condição de que Teerã suspendesse o enriquecimento de urânio. Essa atividade sensível pode esconder um objetivo militar e levar à fabricação da bomba atômica, embora as autoridades iranianas aleguem que ela é realizada dentro de um programa estritamente civil.
Além do chanceler francês e de Condoleezza Rice, viajaram à capital da França os chanceleres do Reino Unido, Margaret Beckett, e da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, o vice-chanceler chinês Zhang Yesui, e Solana.
A crise nuclear iraniana será discutida novamente durante a reunião de cúpula dos chefes de Estado e governo do G8, no próximo fim de semana, em São Petersburgo, Rússia.
Análise: Crise dos mísseis norte-coreanos aprofunda divisões regionais
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u97848.shtml
11/07/2006 - 11h29
Análise: Crise dos mísseis norte-coreanos aprofunda divisões regionais
SHAUN TANDON
da France Presse, em Seul
O lançamento do míssil de longo alcance de Pyongyang, apesar de não ter chegado muito longe, ao menos deu a Kim Jong-il [presidente norte-coreano] o gosto de ver o acirramento das divergências regionais e como a comunidade internacional parece incapaz de preparar uma resposta unida.
Enquanto Japão e Estados Unidos defendem uma posição firme para pedir sanções, China e Rússia demonstram reticências.
Na crise dos mísseis norte-coreanos, Pequim e Moscou propõem moderação e se conformariam com um comunicado que não vá alem da simples condenação verbal.
Sinal da divergência diplomática, a votação de um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) condenando a Coréia do Norte pelos testes foi adiado ontem.
Coréia do Sul, no meio do fogo cruzado --entre o aliado americano e o vizinho do norte com o qual iniciou um processo de reconciliação em 2000--, também parece pouco disposta a alinhar-se com o Japão, do qual guarda um forte ressentimento desde a ocupação nipônica da península entre 1910 e 1945.
Seul criticou a posição de Tóquio, que não descarta a possibilidade de ataques preventivos em caso de ameaça nuclear direta de Pyongyang.
"Esta eventualidade traduz uma evolução inquietante. Temos que manter nossa vigilância, pois deixa claro a natureza expansionista do Japão" disse Jung Tae-Ho, porta-voz do presidente Roh Moo-Hyun.
Seul, cidade para a qual apontam há vários anos os mísseis norte-coreanos, não parece mostrar muita preocupação.
No último dia 4, a Coréia do Norte lançou sete mísseis, um deles intercontinental, que caíram no mar, diante das costas japonesas e russas.
Para Robert Dujarric, especialista em Coréia do Norte que trabalha em Tóquio, esta provocação balística tinha como principal intenção dividir os vizinhos e levar a Coréia do Sul para seu lado. "Ao fazer declarações incendiárias esperam provocar declarações idênticas dos EUA, ou mais ainda do Japão, criando uma divisão de maneira que a resposta sul-coreana seja muito moderada, e até conciliadora", disse. "Poderiam dizer então: 'Vejam, tentamos participar nas negociações, mas EUA e Japão as tornam impossíveis'. Muitos sul-coreanos acreditarão", explica.
No entanto, o tom provocador da Coréia do Norte também pode resultar em uma volta atrás da Coréia do Sul, segundo alguns analistas.
"O Norte não joga muito bem a carta sul-coreana", afirma Peter Beck, especialista em nordeste asiático da organização independente International Crisis Group. "No momento, Seul se recusa a agir com rigor, mas no fim das contas, quanto menos maneável se tornar a posição do Norte, mais difícil se fará a situação para o governo", acrescenta.
As tais "reticências" da Rússia e China refletem o posicionamento destes mesmos países que querem o fim dos EUA. Eles já estão se unindo para destruir este país e iniciar a terceira guerra mundial.
enviada por Adri
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